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Sobre quem eu não quero me tornar e a carioquice que não me pertence

27 maio 2016


Eu queria poder te mostrar o Rio de Janeiro com os meus olhos. Para você que já faz parte daqui, que não está acostumado a questionar tudo o que acontece à sua volta, nem a absorver cada detalhe como se fosse a revelação do segredo de uma mágica. Queria que você conseguisse reparar cada coisinha como eu reparo. Essas coisinhas que passam batidas no seu dia-a-dia, sabe? Que nada mais são do que a única realidade que você conhece e a única forma que existe de viver.

Cada segundo que passo aqui eu sou estapeada na cara: estapeada com verdades sobre a história do Brasil, estapeada com tanta arte nua e crua em todos os poros da cidade, com as verdades que me são expostas sobre a minha própria história - o descobrimento cada vez mais real da bolha que eu estava inserida em Brasília...

A pobreza me olha nos olhos aqui. A dependência química, o sofrimento, a marginalização. A morte. Mas eu sempre tenho a opção de virar o rosto pro outro lado.

Ontem à noite eu fui pra Lapa. L.A.P.A... Aquele bairro maravilhoso onde se encontram todas as cores, credos, gêneros e gostos. Aquele lugar que me ensina mil coisas todas as vezes que eu me aproximo e que ainda assim continua a ter um milhão de outras coisas a continuar ensinando até mesmo depois que eu me afasto. Mas ontem a lição foi um pouco mais difícil de digerir. 

Enquanto eu andava entre suas ruas à caminho da Glória, um mendigo dormia na calçada ao lado. Isso faz tanta parte do processo de carioquice, né? Se acostumar com as pessoas dormindo na calçada. Basta andar alguns quarteirões por ali pra perder a conta de quantos corpos habitam aquelas ruas de noite. E o de ontem teria sido apenas mais um, se, por acaso, eu não tivesse reparado no seu rosto. Por acaso mesmo, já que ninguém olha no rosto dos mendigos... A gente sempre vira a cara pro outro lado quando passa perto.

O mendigo de ontem vomitava enquanto dormia. Desculpa se as descrições começarem a ser um pouco forte, mas não tem como aliviar a cena: ele vomitava, deitado com o peito pra cima, e respirava o próprio vômito. Ou se afogava no próprio vômito. O mendigo de ontem provavelmente acordou morto essa manhã. E a gente sabia que ele estava morrendo quando passou por ele. Mas a gente não fez nada. Não paramos, não o ajudamos, nem chamamos ninguém pra ajudar. Porque era só mais uma noite na Glória. Só mais uma noite no Rio de Janeiro. 

Havia um grupo de prostitutas à frente, outros passantes fazendo o mesmo caminho que nós na calçada e todos devem ter visto o mendigo enquanto ele morria. "Já passou, Chany...", falou meu amigo quando percebeu que eu tinha ficado mal. Mas não passou. Eu sei que provavelmente ele morreria de qualquer jeito. Mesmos e eu ligasse para uma ambulância, dificilmente ela viria ao auxílio de um morador de rua, né? A vida deles não tem valor algum.

Mas eu não sou carioca. E eu não quero absorver essa parte da experiência. Não quero achar normal. Não quero seguir meu caminho olhando para o outro lado e ignorando alguém que morre na minha frente. Ele não era um cara morrendo na favela ao lado. Não era alguém que "eu sei que existe, mas não estou vendo". Eu vi. Ele estava lá. E eu continuei andando.

Acho que eu preciso de um tempo desses tapas.

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Salvando seu ano novo com a melhor playlist de funk de todos os tempos | Música

31 dezembro 2015


Não tinha programado um post pra hoje, mas ele me pediu pra nascer: ontem eu fui para o meu primeiro baile funk no Rio de Janeiro

Obviamente, foi uma experiência única que estou tentando absorver até agora e eu aproveitei cada segundo dela. Entretanto, eu fiquei muito triste quando percebi que não conhecia absolutamente nenhuma das músicas tocadas e que tanto a letra quanto a batida do funk de hoje estão completamente diferentes do funk que eu costumava dançar "na minha época". Pois é, reality check: eu estou ficando velha.

"Na minha época" eu ~odiava~ funk. Era aquele tipo de música que eu dançava na balada, mas em casa fazia chacota de quem gostava. Ontem, eu descobri que era tudo fachada. Eu senti tanta falta dessas músicas, pedi tanto por elas, cantei sozinha o pouco que eu lembrava e fui pra casa com aquela frustração com o DJ. Eu amo funk! Só demorei um pouco pra descobrir. Cheguei em casa e a primeira coisa que fiz foi montar esse playlist e passei o resto da noite dançando no melhor estilo.

Tenho certeza que vocês irão de apaixonar pela playlist (que será continuamente editada daqui pra frente) e que ela poderá ser de muita utilidade na sua festa de fim de ano. Por favor me ajude a complementá-la se eu estiver esquecendo de algo extremamente importante, ok?

Aproveitem!



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Um grande beijo e até já!

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Ser mais Poliana | o que 2015 me trouxe de bom e minha única meta para 2016

29 dezembro 2015


Crise dos 20, depressão e a incapacidade total de levantar de uma cama. Todo mundo que me acompanha há um tempo nas redes sociais já sabe que 2015 foi um ano complicado. 
Mas tem uma razão pra vocês saberem disso tudo: é que eu sempre foco no lado ruim das coisas.

Eu nunca sou o Happiness do Perhaps. Eu nunca sou Poliana. Eu já dei game over no Jogo do Contente tantas vezes que até já esqueci as regras, nem sei mais como é que se joga. E em 2016 eu só tenho uma única meta para mudar essa situação toda: ser mais Poliana

Não vou fazer uma lista infinita com todas as coisas ruins que aconteceram no meu ano. (Acreditem, eu já faço essa lista todos os dias quando acordo). Ao invés disso eu vou simplesmente falar sobre tudo que 2015 me trouxe de bom.


Rio de Janeiro

Esse foi o ano em que eu realizei o meu sonho de uma vida inteira que era o de morar na Cidade Maravilhosa. Eu regressei pro litoral. Moro há 2 quadras da praia mais famosa do mundo. Sinto o cheiro do mar o tempo todo da janela da minha casa. E todas as minhas transformações pessoais ao longo desse ano, todas as minhas desconstruções, toda a minha aprendizagem decorreu dessa mudança.
(Clique aqui pra ver o vídeo que eu gravei falando sobre minha experiência morando sozinha)



A Babilônia

Nesse tempo de Rio de Janeiro eu tive oportunidade de passar 2 meses frequentando quase que diariamente uma favela: a primeira e única favela que já conheci na vida. E não tenho palavras pra explicar o quanto essa experiência transformou a minha vida. O quanto eu era alienada antes da Babilônia, o quanto essa comunidade gritou na minha cara verdades que eu não fazia ideia do quanto precisava ouvir.




a babilônia te dá o suor e exige potes de açaís em suas pausas; te pede 2 reais em troca de um capacete duvidoso; te leva a uma rápida partida de xadrez com a morte e te faz gostar do jogo
- a vertigem no fim da jornada nem se faz notada diante do emudecimento dos olhos tentando encontrar os próprios lábios. -
(eles queriam agradecer o estímulo)
os músculos reconhecem a adrenalina liberada; a depressão se cala; a ignorância vivida berra na parte traseira da sua cabeça reclamando saída
lembra daquelas temidas palavras? you are never coming back.

Os suecos

Por causa do meu novo apartamento, eu passei a ter um espaço para receber estrangeiros aqui no Rio. Entrei em vários grupos de couchsurfing e de troca de hospedagem por trabalho. E pra uma pessoa tão apaixonada por culturas como eu, não há nada tão especial quanto compartilhar novas experiência com pessoas dos lugares mais diferentes. 
(Clique aqui pra conferir o post que fiz sobre coisas que aprendi sobre a Suécia)


Nunca antes tinha estado apaixonada por tantas pessoas ao mesmo tempo. (E olha que eu sou boa nisso). Mas não tenho como expressar minha paixão em palavras, então vou deixar algumas fotos que falam por si só sobre como os suecos seriam o ponto alto no ano de qualquer pessoa e, claro, outra poesia que expressa todo o amor do mundo.


 
jag älskar dig ou o elefante no meu pé
os suecos tocarão na porta ao badalar da meia noite e você logo terá em sua casa três piratas lastimavelmente tatuados. dirty burguers; pizza skewer; broken legs; crooked lines;
- o medo piscará na sua orelha enquanto pergunta se ainda há volta - não há.
eles mostrarão os dentes de ouro, exibirão suas cuecas no primeiro dia (e em todos os dias em diante) e você se deixará levar pelo balanço dos cabelos no ar; pelas franjas; pela kika adeitar; pelo macio da voz e os enfermeiros a cuidar.
fará sol por 6 semanas, 2 dias e 15 horas.

O Centro e os choques culturais


O Rio de Janeiro me estapeia na cara de tantas formas diferentes. Me lembra do meu lugar de fala todos os dias: Brasília; Plano Piloto; filha de Auditora fiscal. E quanto mais o Rio me estapeia mais eu percebo a esquisitice de Brasília. A bolha; a ilha; a setorização de tudo - inclusive da pobreza.
(Clique aqui pro post que eu fiz sobre meus 5 primeiros choques culturais no Rio e aqui pro vídeo de coisas que ninguém me falou sobre o Rio de Janeiro)



Não existe um centro em Brasília como o do Rio. Com o caos; o barulho; a miscigenação; o engarrafamento; a arquitetura. E também o perigo; o assalto; o medo da noite e as peculiaridades da vida noturna. Foram muitas adaptações que eu precisei passar e agradeço cada uma delas.



A obra de arte

Esse ano eu me tornei uma Produtora Audiovisual certificada e realizei o meu primeiro curta-metragem ao lado dos profissionais mais incríveis do mundo. Foi graças a esse projeto que tive minha vivência na Babilônia e que acabei conhecendo os suecos. Tá tudo maravilhosamente interligado ♡. Tenho muito orgulho do projeto que pude fazer parte e mal posso esperar para colher os frutos de sua existência. - Além daqueles que já estou tendo a oportunidade de colher, que são as amizades que nasceram de maneira tão intensa. 




A família

Esse ano eu de fato constituí a família que escolhi pra mim. Não aquela que me foi designada ao nascer. E não deve existir maior realização do que essa. 

Eu não poderia estar mais feliz com esse meu retrato de família. Por ter o privilégio de passar todos os meus dias ao lado das pessoas (ou dos animais, para não sermos excludentes aqui) que eu mais amo e admiro no mundo.



Chega de lamentações sobre 2015 agora, ok, Chanice? Obrigada por tudo que esse ano me trouxe de bom e que 2016 chegue logo, porque eu nunca estive tão pronta para ser mais Poliana.


ps: Todas as fotos que ilustram esse post foram tiradas por Jonatan Nylander, um dos suecos que passou por aqui. Ele é o fotógrafo mais talentoso que eu já conheci, mas infelizmente ele é super hipster e a única rede social que ele tem é o Flickr. Clique aqui pra conhecer mais do trabalho dele (eu recomendo fortemente, vocês não irão se arrepender). E, ah, ele não faz a menor ideia de que estou divulgando o site dele aqui, então se quiserem fazer uma brincadeira comentem a palavra "brigadeiro" nas fotos que mais gostarem da galeria dele!

E vocês? O que 2015 os trouxe de bom? Vamos jogar o Jogo do Contente juntos em 2016? Me contem tudo nos comentários! 
Um grande beijo e até já!


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Coisas que NINGUÉM TE FALA sobre o Rio de Janeiro

06 maio 2015


Você aí que também tem o sonho de morar no Rio de Janeiro como eu sempre tive, assista esse vídeo para não ser pego de surpresa! Existem pequenas coisas no dia a dia carioca que afetam as nossas vidas e que ninguém nunca te fala! E se você já for carioca, deixa nos comentários a sua opinião sobre esses fatos e se você já tinha parado para pensar que em outros lugares talvez pudesse ser diferente!




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Um grande beijo e até já!

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Festa Mistério do Planeta e um motivo para eu sair de casa no fim de semana

16 março 2015


Duas semanas oficiais morando no Rio!!! Sério, cada semana que passa é  uma vitória saber que ainda não botei fogo na casa, não fui assaltada e até já ensinei outras pessoas a andarem de ônibus por aqui! E todo fim de semana é um marco ainda mais importante, porque como ainda não conheço ninguém, normalmente são aqueles dias que eu poderia ficar em casa com um pote de sorvete bem grande e chorando de saudades dos meus amores de Brasília e eu preciso ser muito forte pra vencer essa tentação!

Então hoje eu vim falar sobre o meu fim de semana e sobre a festa mais incrível que eu já fui na minha vida (sério, não estou exagerando). Assim que vi o anuncio de uma festa com o nome Mistério do Planeta, eu soube que precisava ir. (Esse é o nome da música mais icônica da melhor.banda.do.Universo, que se chama Novos Baianos).

Por ser numa sexta feira 13, a festa teve essa temática de Halloween, o que justifica a "fantasia" que vocês estão vendo!



Por mais que eu quisesse muito muito muito conhecer a festa, preciso admitir que quase eu deixei de ir por falta de companhia. Sei que tem gente que super iria em festa sozinho (e normalmente eu até seria uma dessas pessoas), mas, como eu falei, existe uma tentação grande me puxando pra sessão de sorvete em casa nos fins de semana, então sem companhia não ia rolar. (Alô cariocas da ZS que estão lendo esse post, esse é um pedido direto pra vocês não me deixarem sozinha em casa sábado a noite, ok???)

Esses foram os dois lindos que me acompanharam na festa! (Mas não me acompanharam na fantasia!!) Aninha e Mateus, fazia muuuuuuuito tempo que eu não me divertia assim em uma noite então muito obrigada e mil desculpas se eu por acaso fui uma bêbada chata.


Pra quem, como eu, odeia cerveja e só bebe destilado: a festa tinha dose dupla até 1h! É ótimo pra quem bebe bastante, porque normalmente essas bebidas são muuuuuito mais caras. Eu, que tenho o estômago mega fraco, não aguento essas coisas não! Tomei uma dose e meia e já fiquei completamente tonta!
Como se não bastasse, no meio da festa aconteceu um sorteio desses copos pretos que vocês estão vendo aí nas fotos. Cada copo tinha um número embaixo e o número sorteado ganhava 10 latões de cerveja, uma camisa da festa e outros mimos. Adivinha quem ganhou?????????



Isso mesmo! Esse é meu sorriso de felicidade por ter sido sorteada e minha cara de preocupação por não ter a menor ideia do que fazer com esse tanto de cerveja (meus amigos que estavam na festa também não bebiam.) Resultado: estou com um frigobar lotado de cerveja pra receber os amigos qualquer dia. É só colar!




No mais, é isso: a festa foi incrível, o som não poderia ter sido melhor e eu me acabei na pista de dança. Junto com o sorteio, também ganhei entrada VIP pra próxima edição da festa e com certeza estarei lá! Não existem festas assim em Brasília, com um som que eu me identifique tanto e goste de dançar todas as músicas... Lá é um sofrimento pra encontrar qualquer festa que não seja exclusiva de indie rock (sos). Agora que encontrei esse cantinho aqui no Rio, não vou ter mais desculpas pra ficar em casa no fim de semana.


Da próxima vez espero vocês lá comigo, ok?? Mas fantasiados, por favor!! Tava muito sem graça todo mundo praticamente de cara limpa!



Editado: 

Acabei de achar novas fotos da festa que não poderiam deixar de entrar aqui. Apesar de ter ido pra lá com apenas 2 pessoas, acabei conhecendo esse grupo lindo que ajudou a tornar a noite ainda mais amor. Eu adorei conhecer vocês, obrigada por acolher uma brasiliense-paraibana perdida na festa!



E essa foto aqui é pra vocês verem a situação deplorável que aconteceu com a maquiagem toda no final da festa! Mas no início até que ficou legal né? Isso que importa haha

Agora sim, um grande beijo e até já!

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O Rio de Janeiro e meus 5 choques culturais!

08 março 2015


Esse fim de semana faz oficialmente 1 semana desde que comecei a ter uma vivência carioca completamente independente. Com certeza não é uma mudança nem de longe pequena - não tanto pela cidade, mas mais pelo fato de morar longe de tudo e todos e descobrir que roupa não se lava (nem passa!) sozinha e que comida não fica pronta por milagre.

Seriously... Momentos difíceis virão! Mas isso será papo para outro post... 

Hoje eu quero falar pra vocês sobre os pequenos detalhes do meu dia a dia, sobre todas aquelas coisas que passam tão despercebida por nós quando já estamos acostumados a morar numa cidade que sempre foi nossa.

Vou me dar todas as licenças poéticas possíveis agora, então me perdoem se parecer muito exagerado para alguns, mas estou começando a enxergar muitas semelhanças entre a nossa relação com a cidade em que moramos e a nossa relação com as pessoas à nossa volta (amigos e familiares em geral). A gente se acostuma muito fácil com a presença e o jeito daquelas pessoas que já fazem parte da nossa rotina, a gente se adapta! E, de repente, não prestamos mais tanta atenção nos pequenos detalhes de suas personalidades. Nos conhecemos tão bem, mas tão bem, que passa a ser um processo inconsciente!

Foto: Antonio Spirito
Aqui, no Rio de Janeiro, tudo é novo para mim. O cheiro, o clima, as pessoas, a arquitetura, o transporte... E a lista continua! Qualquer pequeno detalhe é um choque cultural em potencial para mim. E muitos desses choques culturais me forçaram a trazer para o nível do consciente algo que eu nem mesmo tinha percebido que sabia sobre Brasília, minha cidade anterior. 

Por exemplo: eu "sabia" que Brasília era uma cidade muito seca. Está o tempo todo passando nos jornais, as pessoas comentam, você sente sede o tempo todo... Mas eu não sabia o quanto ela era seca, o quanto essa característica tinha poder sobre minha vida, o quanto ela afetava meus hábitos, minha rotina, minha personalidade... Até eu me encontrar num lugar extremamente úmido! (E aposto que os cariocas  também não percebem o quanto são afetados por essa umidade). 

Enfim, essa semana foi uma sucessão de pequenas coisas, de pequenos choques culturais e de várias inconsciências que se transformaram em processos conscientes. Aqui vai uma lista de 5 dessas pequenas coisas:

#1 Pingos de chuva são, na verdade, a condensação das centenas e centenas de ares condicionados pendurados pelos prédios da cidade.

Sério, é praticamente impossível fugir desses pingos. Eu ainda não me acostumei e não acho que isso vai acontecer tão cedo. Tem se tornado um jogo cada vez mais frustrante brincar de andar pelo centro da cidade sem ser pega pelos pingos. E já teve momentos em que eu acreditei de verdade que estava chuviscando, mas foi uma doce ilusão. Será que os cariocas ainda se incomodam com esses pingos de ar condicionado? Eles estão por todos os lados!

#2 Os carros não vão parar para você passar (mesmo que você esteja na FAIXA DE PEDESTRE!!)

Essa informação provavelmente não causará nenhum choque cultural na maior parte da população brasileira. Mas, se assim como eu, você tiver sido um residente prévio de Brasília, então se prepare para estar em maus lençóis. Não estou querendo causar nenhum alarme maior para não assustar minha mãe caso ela acabe lendo esse post, mas tiveram momentos em que eu realmente me assustei. É muito difícil viver 10 anos em um lugar onde as faixas de pedestres são sagradas e de repente ter que parar de confiar nisso pelo bem da sua própria vida. Meu cérebro já está condicionado, entende? Se eu vejo uma faixa de pedestre, eu vou passar. Os carros vão parar. Não precisa nem dar sinal de vida!!!
Infelizmente o Rio de Janeiro está aí para me provar o contrário...

#3 As pessoas vivem em constante alerta para assaltos

Eu nunca fui assaltada na minha vida. Não adianta, não consigo me adaptar tão rapidamente a andar pelas ruas mal encarando qualquer pessoa "suspeita". A parar de usar meu escapulário ou qualquer correntinha dourada (eu tenho apego sentimental!!), a não sair de casa com bolsa... Também não to falando que vou sair por aí mexendo no meu celular no meio da rua, ou exibindo algum bem material mais valioso como câmeras e notebooks. (Até porque eu não faria isso em nenhum lugar!) Mas aqui é diferente, isso afeta o modo como as pessoas andam, a postura delas na rua, a cabeça abaixada, o olhar esquivo... É algo que ainda vai me levar certo tempo.

#4 Tem muita travesti nas ruas de Copacabana

E aqui vai um fato que vocês precisam saber sobre mim: eu amo essa diversidade. Eu gosto que elas estejam presentes na rua, de ver essa representatividade entre as pessoas lá fora, essa pluralidade de gêneros. É algo que eu nunca tive em Brasília e lamento muito por isso. Travestis existem em qualquer lugar, a diferença é que em uns elas se escondem e em outros não. E, por favor, não quero ninguém andando escondida por aí.
O problema são as outras pessoas... Não teve nenhuma vez que encontrei uma travesti e não encontrei alguém em volta reagindo de maneira negativa a essa presença. E até exprimindo essa reação para as pessoas próximas (eu, no caso!!). É uma pena, Rio de Janeiro. É uma grande pena.

#5 Tem muito gringo também!

Assim como eu amo as travestis, amo todos os gringos! Eu sempre soube que o Rio era uma cidade turística e bastante frequentada por estrangeiros, acho que todo mundo sabe disso, mas, antes de vir pra cá, eu achava que os gringos só visitavam o Rio em épocas festivas (fim de ano, carnaval, feriados, etc...). Não esperava que ainda tivessem tantos em meados de março! E fico muito feliz! Espero que eles se mantenham ao longo de todo o ano, incensadamente. (E a melhor parte é que ninguém reage de maneira negativa aos gringos).

Foto: @_salomo
É isso! Espero continuar colecionando pequenas impressões por muito tempo ainda, até que eu também me acostume ao Rio e todas essas coisas se tornem parte de processos inconscientes. Também espero ter muitos mais choques culturais pelo caminho, pois são com esses choques que reconhecemos a cultura em que estamos inseridos. E enquanto eu tiver novas observações para fazer, pode ter certeza que elas renderão novos posts por aqui!

Quero muito saber o que acharam sobre cada uma dessas coisas! Você é carioca? Já reparou em tudo que eu falei? Discorda de alguma coisa? Me deixem saber tudo nos comentários!

Um grande beijo e até já!


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Bye Bye, Brasília! | My Life in Pictures

03 março 2015

OOOI GENTE! Faz tanto tempo que não posto aqui, que sinto que até perdi o jeito, sabe? Não dá pra continuar assim, tem acontecido muita coisa na minha vida nas últimas semanas e o objetivo de ter um blog é justamente pra deixar registrado esses momentos... Já tenho muitas e muitas reflexões a fazer sobre tudo o que significa mudar de cidade, morar sozinha, longe da família, do namorado, dos amigos. Sobre as diferenças culturais entre as cidades, o que me chamou mais atenção no Rio até agora... Nossa, são tantas ciosas que eu preciso começar logo! Então vamos começar com a minha despedida de Brasília??


No meu último fim de semana eu organizei um encontro lá em casa pra reunir todas as pessoas especiais que eu estava deixando em Brasília... Fiquei muito feliz com a presença de todo mundo que apareceu na festa! Não tirei tanta foto quanto gostaria, até porque queria dar o máximo de atenção possível pra todo mundo, mas ainda assim deu pra registrar todos os convidados!


Principalmente a Kika e o meu amor que não podiam faltar né? Kika inclusive foi a sensação da festa! Filha de piriguete, piriguetinha é, viu? Vou te falar, andou no colo de metade da festa essa cachorra! E ainda faz cara de inocente pra câmera!





Eu tirei fotos individuais com cada convidado a medida que eles iam embora. Ou seja, nessa hora eu já estava completamente bêbada! Sério, eu não tenho o hábito de beber, então com uma taça de vinho já estou mais alta do que tudo. E minha cara não dá pra enganar também, né? Agora vocês já sabem reconhecer a cara de bêbada da Chanice... Pelo menos eu sou aquela bêbada que tá sempre feliz, sorrindo de orelha a orelha.



Uma coisa que vocês precisam saber sobre mim é que eu tenho os mesmos amigos desde o ensino médio... Pra não dizer fundamental: metade da festa eu conheço desde a 7ª série. Isso é muito importante pra mim: que mesmo depois de tantos anos, com cada um seguindo um rumo diferente na vida, mudado os gostos e afinidades, continuamos cultivando a amizade. Mesmo que o número de encontros tenha diminuído consideravelmente pelo caminho...



O Lessinha, esse gato músico aí da foto, era o meu melhor amigo no Ensino Médio. A gente não se via há anos, pois perdemos muito contato depois da faculdade. Eu fiquei tão emocionada com a presença dele que não sei nem explicar! Tem pessoas que possuem o nosso carinho eterno sem condições estabelecidas num contrato. (Se é que essa frase faz algum sentido pro resto do mundo.) 

O ponto é que não importa quem a pessoa se torna, o que ela andou fazendo nos últimos anos, que caminho ela está trilhando na vida e se esse caminho vai parar de cruzar completamente com o seu em algum determinado momento. A sua energia, a vibração que ela emana, a lembrança que ela desperta... Enfim, existe algo que se fez em um ponto da sua vida e que já não pode mais ser desfeito. 

(Ou então sou apenas eu ficando extremamente emotiva por causa da mudança... Mas não acho que seja o caso).



E são essas amizades que você sabe que definitivamente poderá contar, caso precise de alguma coisa. Mesmo que as circunstâncias não estejam muito favoráveis no momento. 

Eu olho pro rosto de cada uma dessas pessoas nas fotos e lembro de quem elas eram há 8 anos (!!) atrás... É bom quando você sente orgulho das pessoas que fizeram parte da sua história, sabe? Quando você vê que hoje, mesmo cada uma estando em uma fase diferente da vida, inseridas em contexto que hoje em dia é bem diferente do seu (e que dificilmente vocês teriam a mesma afinidade caso se conhecessem no momento atual), ainda assim você admira cada uma delas de uma maneira distinta.




E é bem por aí. Eu admiro cada um de vocês. Eu sinto orgulho, não só de quem vocês se tornaram, mas da minha própria história, por ter ou ter tido vocês como personagens. Em algum momento, cada um de vocês, foi responsável por moldar algum aspecto da pessoa que eu me tornei. Foram os autores das lições que eu levo hoje pra vida. Foram aqueles com quem eu dividi os momentos mais marcantes da minha trajetória até agora.



Ok, eu admito: fiquei extremamente emotiva ao decorrer desse post. Mas era preciso. Estou, pela primeira vez em 8 anos, num lugar completamente diferente, tendo a oportunidade de construir novas amizades e colecionar novas histórias com novos personagens. E estou muito ansiosa pra tudo isso. Mas não vou deixar de cultivar o que eu vivi até agora.

Essa despedida resgatou muitas lembranças esquecidas na minha memória. É minha crise de Peter Pan batendo à porta e dizendo que eu já cheguei naquela fase da vida em que as pessoas já não tem muito tempo pra se encontrar. As desculpas para os desencontros surgem com cada vez mais facilidade. As ausências vão ficando cada vez mais presentes do que as presenças.

É uma fase triste na vida de qualquer pessoa.

Reconhecer isso me dá certo poder de mudança.

Brasília, I'll see you now and then.

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Vanessa. Paraibana, leonina, amante dos animais e de homens com cabelos compridos. Isso é basicamente tudo que você precisa saber sobre mim, o resto você descobre nas páginas do blog. ♥

 
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